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Roupas pra pessoa que você é, com a vida que você tem

Quando comecei a me movimentar em direção à Simplicidade Voluntária, fui confrontada com uma realidade extremamente dura: meus - grosso modo -  3 armários entulhados não forneciam, em sua maior parte, material para a pessoa que eu era e sobretudo para o vida que eu levava.Conclusão bastante lógica pois não poderia ser razoável que alguém com tamanho " acervo pessoal"pudesse se sentir "sem nada pra vestir"com relativa frequência.

Além desse sintoma gritante, havia outro igualmente desconfortável: sempre demorava tempo demais para me arrumar dada uma monstruosa dificuldade em localizar e coordenar mentalmente as peças, geralmente experimentando ( e amontoando na cama) algumas opções antes da decisão final. Mesmo com essa trabalheira diária toda, não posso- em sã consciência- afirmar que fui alguém admiravelmente bem vestida. Isso sem falar na grana torrada no conteúdo daqueles 3 guarda-roupas, que relação custo-benefício lamentável! Na época em que comecei a destralhá-los, fiz o cálculo mental de quanto teria gasto em cada peça e realmente caí pra trás quando cheguei a uma soma aproximada. Concluí que, caso não houvesse desperdiçado com tantas compras mal feitas, poderia ter gasto ou mesmo poupado muito mais sabiamente.

Por isso, hoje afirmo sem medo de errar: é essencial ter uma visão clara e realista do que te favorece fisicamente, mas JAMAIS deixe de levar em consideração como é seu dia-a-dia.De nada adianta, por exemplo, alguém que vai numa festa mais sofisticada muito raramente ter inúmeros sapatos/ roupas/ bolsas de festa no armário. Se você anda de transporte público em cidade de calçadas portuguesas diariamente, onde você estava com a cabeça quando comprou tantos sapatos lindos de salto fino, criatura?!