Auto-ajuda.Sem preconceito.

O termo auto-ajuda virou sinônimo de " gênero literário" para o qual muitas pessoas torcem o nariz.Não acho que esse gênero seja necessariamente ruim, algumas publicações tem qualidades intrísecas sim.Uma pena que socialmente convencionou-se " colocar tudo no mesmo balaio de gatos" ou " jogar o bebê junto com a água do banho". :-/

Além desse primeiro significado que nos vêm à mente, auto-ajuda obviamente é tentar, por todos os meios, se auto-ajudar.

Se dar um auto-empurrãozinho que, em alguns casos, representa convocar as pessoas certas para aquele empurrãozinho-amigo no nosso eu-veicular, pra ele pegar nem que seja " no tranco".Continua valendo, e mais ainda pra comportamentos humanos, aquela teoria que no século passado se ensinava nas aulas de Física: " Corpos em movimento tendem a permanecer em movimento, corpos em repouso tendem a permanecer em repouso." O primeiro passo de uma mudança de direção é sempre o diabolicamente mais difícil de todos! Como na Física, quando se pega o embalo tudo flui com bem menos esforço.

E esse " cry for help" salvador da pátria pode ser bem difícil.A gente pode achar que dá conta sozinho e até dá mesmo, mas na marra.Aos trancos e barrancos, forçando o motor.Claro que não defendo que fiquemos lamurientos e crying for help o tempo todo.Mas percebo que muita gente foi programada pra não pedir ajuda nunca, praticamente nem em incêndio...vão ao chão, mas não se dobram.Eu mesma outro dia me dei conta de algumas situações em que já banquei a durona no puro piloto automático, sem sequer nem me questionar.E sem sequer me dar conta que estava bancando a durona não só "apenas"por não pedir ajuda como também por chegar a negar a ajuda que me ofereceram de bandeja."Não, não precisa se incomodar, imagina...". (Sabe aquela " educação" old school da mesma laia do " Ah, um presente?! No meu aniversário?! Ah, imagina, não precisava se incomodar..." Ora bolas, se a pessoa pensou em comprar o presente,achou que a gente merecia, foi e comprou isso é lá coisa que se diga?! Se o amigo/parente/colega/seja lá quem fôr está ali visivelmente disposto a ajudar, pq não?!

Educação é bom, essencial pra viabilizar a vida em sociedade, mas qtas coisas meio absurdas e contraproducentes que fazemos em nome da educação, né não?! :-0

Há uns tempos atrás li e vi o filme " O Segredo".Tudo bem que assisti/li super desconfiada, achando que havia um certo exagero...mas certamente uma coisa me fez rir: quando alguém das suas boas relações resolve pagar, por exemplo, a conta do restaurante toda, pq a maioria das pessoas resiste mais do que resistiria a ser colocada num camburão e levada pra delegacia ao invés de simplesmente se dignar a falar " Nossa, que ótimoooo, puxa, muito obrigada!" . Eu sei bem de onde vem meu exemplo: minha mãe e suas amigas qdo saíam juntas tradicionalmente levavam uns bons minutos naquele "deixa-que-eu-pago-não-deixa-eu-então-vamos-rachar-não-eu-bebi-mais-não-eu-pedi-camarão-não-que-inferno-deixa-de-ser-chata-não-saio-mais-com-você-ah-então-da-próxima-eu-convido! " Era um verdadeiro ritual.Não havia a hipótese de alguém se levantar da mesa sem essa batalha, às vezes com toques de exagero dramático tipo
um mais afoito tirando a conta das mãos do outro e enfiando afobadamente conta e dinheiro nas mãos do garçom.Foi na infância, assistindo a cenas como essa, que aprendi o golpe-baixo-clássico-materno para situações congêneres: no fim da refeição, quando sabia que a "vítima-agraciada" iria esboçar um excesso reativo e ela fazia a mais absoluta questão de praticar a gentileza, usava ir ao banheiro como pretexto pra se esgueirar até o caixa e pagar a conta de forma clandestina! Qdo, tempos depois, a suposta "vítima" descobria a artimanha, sempre dava uns gritinhos de "ah, que absurdo, não precisava..." que eu aprendi serem de bom tom, antes de constatar que Inês estava morta e enterrada e encerrar definitivamente o assunto.É como se dizer "apenas" obrigado fosse deseducado...

Ufa! Concluí que era um sinal de má educação inadmissível aceitar o que quer que fosse, qq gentileza, sem se resistir bravamente por alguns minutos...e só depois capitular.

4 comentários :

Helena disse...

Nas livrarias americanas tenho visto mais seções de "Self Improvement" do que de "self-help" (nem lembro de ter visto essa expressão há alguns anos. O novo nome dá uma impressão mais otimista e positiva de que não necessariamente você precisa estar no fundo do poço para passar discretamente por essas prateleiras.

Por outro lado, quem não quer se aprimorar? Ou melhor, quem não precisa de algum aperfeiçoamentozinho? Quem disse "Eu, eu!" precisa ser mais humilde!

Eu costumava ter um preconceito terrível contra essa "litaratura" mas, como em todo nicho editorial, existe 99% de porcaria e 1% de publicações de qualidade - e quem determina esse 1% é cada um, não é uma lista fixa, embora possamos provavelmente concordar com quais são os piores, aqueles que até quem é do contra concorda na hora!

Outra coisa, tem muito livro de antropologia, de psicologia e sociologia no mesmo "balaio de gatos" que a Ana mencionou, na mesma prateleira que "Aprenda a ser mais assertivo enquanto escova os dentes!".

Claro que um livro de auto-aprimoramento (viu, não ficou mais interessante?!) que se preze talvez deva ser inter-disciplinar, mas existem psicologias de quem estuda e pesquisa e psicologias de botequim (a minha, por exemplo :-)

No final das contas, acho que tudo que alguém fizer para se sentir melhor, para conseguir viver um pouco melhor e melhorar seu relacionamento com os outros e seu entorno vale. E vale muito! Então NÃO vale julgar o método do outro, seja o que for, meditação, livros, macumba ou cristais energizantes, porque como no velho comercial do Carlton (ééé, cresci vendo comerciais de cigarro na televisão!)
"Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum"!

Just for the record:
Fumar não tá com NADA! (IMHO)

Taimemoinonplus disse...

Helena:

Nossa, suas participações são tão substanciais que isso aqui vai virar praticamente um blog a 4 mãos! hehe.

Lendo o seu comentário, me lembrei de uma episódio antiquíssimo de " Sex and the City" onde a Charlotte passa completamente encabulada pela seção de " aujo-ajuda", sem coragem de entrar( hum, não me lembro como estava o original em Inglês mas tenho o dvd aqui e um dia vejo de novo e descubro.).Ela está doida pra escolher um livro mas fica supeeer sem graça e tendo a sensação de que todo mundo está observando seus passos...finalmente ela reúne coragem, pega o livro rapidinho, corre pro caixa e a funcionária da livraria ainda faz um comentário tipo " ah, li esse livro qdo eu estava no fundo do poço." rs Aí a Charlotte não se aguenta, desiste do livro, sai correndo e termina comprando por internet...hahaha.Esse episódio espelha bem o que é o preconceito...Há certos livros que são " carregáveis" socialmente...se vc estiver carregando sei lá, um clássico da literatura,vai tirar onda de intelectual...agora sai com um livro de self-improvement debaixo do braço no estilo " como juntar os cacos após o divórcio" pra ver uma coisa...rs

Helena disse...

Sei qual é o episódio! É isso mesmo! Já que estou re-comentando, mais um comentário lateral (tradução tabajara de "side comment"!):
Acho que minha implicância com quem lê auto-ajuda também vem do fato de que eu imagino essas pessoas lendo SÓ isso, mais nada. Alguém aí por acaso também tem essa impressão? Acho muito legal ser eclético, saber um pouquinho de tudo, fora da sua área de expertise e tenho esse preconceito que a fulana que compra "Nascida para sofrer?" só assiste novela e Faustão e lê isso. Nunca chutaria que essa mesma fulana acabou de reler O Alienista, não porque a escola mandou o filho ler e ela vai fazer o dever de casa pra ele, mas porque adora Machado de Assis e mal pode esperar para ver a mostra do Buñuel no CCBB! Êta classismo-elitismo-intelectual-doloso! Não vou nem tentar me defender! Fico com a impressão de que precisamos diluir tanto a literatura "pesada" com outras leituras diferentes, assim como "encorpar" estas com aquelas.

PS: Alguém reparou a "litaratura", oops! ;-)

Taimemoinonplus disse...

Reparei! rs Herrar é umano, eu que não ia apontar um errinho de digitação, não eu que estou sujeita a vários erros públicos aqui no blog, hehehe...

Até quem lê auto-ajuda tem preconceito contra quem lê auto-ajuda! rs