Roupa suja se lava em casa- ou se lavava...

Compro a edição 634 da Revista Época e na capa leio a seguinte chamada: “Barraco no youtube: Como a reação de uma mulher traída virou atração” acompanhada da foto da auto-difundida chifruda. Se ela queria publicidade, ninguém há de duvidar que conseguiu.

Segundo a revista: “Vivian Almeida de Oliveira, de 34 anos, colocou na internet, em uma página da rede de relacionamento Orkut, a prova de que seu marido, o comerciante Cícero Oliveira, de 54 anos, a traíra. (...) Por dez minutos e 18 segundos, ela aparece num vídeo caseiro conversando com a sua melhor amiga, a comerciante Juliana Cordeiro, de 33 anos.” A loba em pele de Cordeiro, ao ser pressionada com provas, admite o caso de 5 anos que mantinha com o marido da “amiga”. Com uma amiga dessas, quem precisa de inimigos?! O mínimo que pode se dizer é que Vivian não tem o dom de se fazer cercar das melhores pessoas, nem nas amizades, nem no casamento. Coitada mesmo.

O sangue-frio que permitiu que ela colhesse provas da infidelidade (e-mails entre os amantes, fotos...) e chamasse a “amiga” para uma conversa filmada com o objetivo de obter uma confissão não se mantém. O vídeo descamba em tapas e patéticos puxões de cabelo, Juliana derrubada no chão e, ao que parece, pisoteada por Vivian.

Segundo Vivian, seu objetivo seria mostrar à sociedade sorocabana o verdadeiro caráter da amiga-traíra, mas terminou dando um tiro no próprio pé ao filmar e difundir sua agressão contra Juliana.

Ao ouvir uma dessas, me questiono a esmo.

Já que o objetivo era uma conversa catártica, porque não chamar o marido ao invés da amiga? Pelo menos em tese, não seria ele o comprometido, pelos laços sagrado do matrimônio, a manter a fidelidade? (Ei, eu ouvi esses risinhos!)

Que a pessoa fique transtornada com uma traição até posso entender, mas dar tiro no próprio pé fornecendo prova contra si mesma? Vivian, que é advogada, poderia ao menos ter tido o lampejo de editar o vídeo na parte das bofetadas e companhia.

Suspiro nostálgica lamentando que nem tudo é progresso nesse mundo, bons tempos aqueles em que “roupa suja se lavava em casa”, a portas fechadas e sem indesejáveis testemunhas...

A revista informa que Cícero é um homem “de pouca estatura, enrugado, que pinta os cabelos de acaju e tenta esconder a calvície.” Juliana é casada com Fábio, um” jovem rico, bonito e com boas relações na cidade”. Pondero que muitas vezes o perigo está onde menos se suspeita. Pessoalmente, entre o risco de ser traída por um homem com a descrição de Cícero, prefiro em sã consciência sê-lo por alguém assemelhado o máximo possível a um deus grego ou ao Rodrigo Hilbert. Daria no mesmo.

Realmente entendo o desespero da pobre traída, casada com um homem 20 anos mais velho sem atributos aparentes e levando não uma mera corneadinha esporádica e aleatória, mas um chifre homérico de 5 duradouros anos com a suposta “melhor amiga”. Dose pra mamute.

A afirmativa anterior prova minha tese antiga e genial: “A traição tem razões que a razão desconhece.” Qual o sentido lógico-cartesiano em chifrar a melhor amiga com um homem sem atributos quando se tem um bonitão (e rico) em casa?! Tesão resta um mistério insondável da raça humana. Temos que admitir a bem da verdade: é possível se ter um tesão desnorteador a ponto de se desejar SINCERAMENTE ser o absorvente interno da Camila Parker Bowles e permanecer impassível diante da Lady Diana. Um vetusto e saudoso dentre os meus professores tinha mesmo razão: “A realidade ultrapassa a ficção.”

Uma nota especial para as mulheres, adoradoras do flagelo auto-impingido de se comparar compulsivamente umas com as outras: muito pior do que ser traída por uma bonitona deve ser levar uma rasteira de uma feiosa. Só com nervos de aço. Ó senhor, por piedade, protegei-me deste mal, amém! Sim, porque até dá pra racionalizar um chifre magistral desferido por uma mega-ultra-arqui-sensualíssima e fogosa mulher que lembre a Demi Moore em striptease, mas imagina só descobrir que teu parceiro pula a sua cerca com a caixa vesga da padaria?! Putz... (Isso me lembra do caso Hugh Grant, que namorava a beldade celestial Elisabeth Hurley ao ser preso em via pública como sujeito passivo de um sexo oral desempenhado por profissional de décima categoria ironicamente apelidada de “Divine Brown”. Se essa era a divina dos calçadões de Beverly Hills, por piedade me poupem da infernal.) E o Bill Clinton, com sobejas oportunidades, escolher sujar o vestido justo de uma gorducha-dentuça-branquela-puritana de araque! Se EU fosse o presidente dos Estados Unidos... Bem, melhor parar por aqui.

6 comentários :

Marcella disse...

Mulher e´bicho esquisito mesmo....
Tenho teorias sobre a traição .. ela difere entre homens e mulheres.. homens se sentem traídos sexualmente, qdo aparece outro na jogada o medo e´não ter "dado conta"...
A mulher se sente traída pelo envolvimento emocional que ela julga que ocorreu.... As vezes qdo o cara fala _foi só uma aventura, nada sério.. ele está falando a mais pura verdade...
Agora traição de marido é ATÉ perdoável.. de amiga não... é alta traição sem direito a defesa!

Taimemoinonplus disse...

Marcella:

Às vezes o cara tem envolvimento sentimental também com a outra e mente pra mulher dizendo que foi só sexo pq já sabe que isso abranda a quetão. Uma traição isolada pode ser só sexo, mas manter uma amante fixa entra sentimento na parada, vc não concorda?

Acho que há traições e traições, não pode tudo entrar no mesmo balaio de gatos.Há traições perdoáveis e imperdoáveis ( com requintes de crueldade e desconsideração com o outro como, por exemplo, caras que comem as amigas e parentes da mulher nas barbas dela.Ou cara que monta uma vida paralela com uma amante, tem filhos fora...Isso sim envolve não apenas sentimentos como consequências sérias e definitivas para vários envolvidos, inclusive a criança.

Giselle Botelho disse...

Na minha ingênua opinião, traição é um mal imperdoável, seja do marido ou da amiga. Porém, acho muito madura a posição da mulher traída de ter reunido provas contra seus arquiinimigos, eu faria diferente em uma única coisa... Entraria na justiça contra ele, claro!
Porque mulher inteligente não se vinga, fica rica!!!

Ana disse...

Como você bem observou:
1. O sujeito objeto da disputa não tem nenhum atributo interessante nem para a esposa nem para a amante
2. A esposa foi tomar satisfações com a amiga/amante e não com o marido
Porque??
Na minha modesta opinião o que está em jogo não é o marido e sim a disputa entre as duas. Me parece que a amante usa o marido da outra como um meio de atingi-la.
Parece que a relação de amor e ódio entre essas duas mulheres tem algo de homossexual enrustido. Será viagem minha?

Taimemoinonplus disse...

Olá, Ana! Hum, não sei se chega a ter algo de homossexual enrustido ( nossa, como adoraria ter a consultoria técnica do Flávio Gikovate neste blog...hehe)mas concordo com vc que certamente há sentimentos mal resolvidos aí, ingredientes como competitividade, inveja e ódio certamente estão presentes.

Acontecimentos nesse campo de atração pelo marido da amiga são muito delicados.Não sou de tapar o sol com a peneira, acho que pode até acontecer mas o que diferencia as pessoas são os valores de cada um que pautam a forma de lidar com a questão.Certamente a pior situação possível é justamente essa: levar vida dupla se fazendo de amiga, confidente, falando mal pelas costas e tendo um caso de CINCOOOOOOO anos com o marido da outra.

O ideal é que as pessoas saibam respeitar os limites, mas cada caso é um caso.Há que se ter bom senso, respeito e se colocar no lugar do outro.Uma coisa é tomar uma decisão madura de arcar com o preço de terminar um relacionamento e assumir outro.Outra, bem diferente e imatura, é achar que se pode ter tudo.Mesmo que pra isso seja necessário jogar muito sujo.

Taimemoinonplus disse...

Corro até de ex-namorados ou ex-peguetes ou ex-rolos de amiga minha.Acho chatíssima essa promiscuidade de ficar compartilhando até ex-parceiros com amigas, acho esquisito,delicado.( que dirá parceiros atuais!!! ) Mesmo pq não necessariamente os sentimentos terminam qdo se termina uma relação...e acho que tem tanta gente no mundo, pra que vou ficar fixada no ex-homem ( ou pior: atual!) de amiga minha?!

Creio que para o início de algo entre homem e mulher, os dois tem que baixar a guarda.É esse momento que se deve evitar e não cair de cabeça e depois ficar dizendo que não teve culpa.Há mulheres extremamente competitivas.Querem não apenas a roupa da outra, o mesmo sapato novo, a bolsa linda...mas até o marido, mesmo se fôr feio, velho e de cabelo pintado de acaju.Não querem a amiga feliz.Pra mim isso não é amizade, é lobo em pele de cordeiro.

Há exceções especialíssimas em que se envolver com o parceiro do outro poderia talvez ser admissível, mas são bem poucas.Não acho que um mero tesão de momento ou uma reles putaria seriam motivos fortes o bastante para correr-se o risco de magoar alguém muito querido.